outubro 31, 2026

Resumo da semana: bolsa tem pior tombo desde 2020 após reeleição de Lula

Ilustração editorial azul e dourada com globo, cidades, trabalhadores e infraestrutura de petróleo

Semana de 26/10/2026 a 30/10/2026. Edição de 31/10/2026.

A semana em poucas palavras

  • A reeleição de Lula no domingo (25/10) jogou a bolsa brasileira numa das piores semanas da história recente.
  • O Ibovespa caiu 18,12% na semana e o dólar subiu 9,04%, a maior alta semanal da moeda desde outubro de 2008.
  • Na segunda-feira (26/10), a B3 interrompeu as negociações por 30 minutos, pela primeira vez desde a pandemia.
  • O risco: juros futuros e o chamado "risco país" dispararam, encarecendo o crédito para empresas e famílias.
  • O lado positivo: a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, dentro do esperado, mostrando que o mercado de trabalho seguia estável apesar do susto na bolsa.

Como a semana fechou

  • Ibovespa: fechou a sexta em 167.921 pontos, com queda de 18,12% na semana, a pior desde março de 2020 (Entenda: o Ibovespa é o "termômetro" da bolsa brasileira, a média das ações mais negociadas)
  • Dólar: fechou a sexta a R$ 5,4443, alta de 9,04% na semana, a maior desde outubro de 2008
  • Petróleo Brent: fechou a sexta a US$ 113,43 o barril, com alta de cerca de 15% em outubro
  • Bitcoin: fechou a semana perto de US$ 77.320, queda de cerca de 4,7% ante a sexta anterior
  • EUA: o Nasdaq caiu 2,86% só na sexta, o pior dia desde junho, e no mês perdeu 5,3%
  • Juros: os juros futuros subiram mais de 260 pontos-base na segunda-feira; o "risco país" saltou de 120,21 para 143,87 pontos, o maior nível desde março de 2026

A eleição que derrubou a bolsa

  • Com a apuração encerrada, Lula teve 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, numa virada inédita: desde 1989 nenhum candidato que perdeu o primeiro turno havia vencido o segundo.
  • Na segunda (26/10), o Ibovespa chegou a abrir caindo mais de 16% e a B3 acionou o circuit breaker, travando as negociações por 30 minutos; o índice fechou o dia em queda de 13,88%.
  • Por que importa? O mercado apostava numa vitória de Flávio, vista como mais favorável a cortes de gastos; a virada pegou investidores de surpresa.
  • Leitura prática: esse tipo de susto pode afetar fundos de investimento e previdência privada, mesmo para quem não investe diretamente na bolsa.
  • Entenda: circuit breaker é um freio automático da bolsa. Quando o principal índice cai 10% no dia, as negociações param por 30 minutos para evitar um pânico ainda maior.

Juros, risco país e o novo time econômico

  • O chamado "risco país" (quanto o mercado cobra a mais para emprestar dinheiro ao Brasil) saltou de 120,21 para 143,87 pontos logo na segunda-feira (26/10), o maior nível desde março de 2026.
  • Lula sinalizou a aliados que pode convidar o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, para o Ministério da Fazenda, com um pronunciamento aguardado para a semana que vem.
  • Por que importa? O mercado está esperando sinais de que o novo governo vai controlar os gastos públicos; sem isso, os juros tendem a continuar pressionados.
  • Leitura prática: juros mais altos encarecem o financiamento do carro, da casa própria e do cartão de crédito parcelado.
  • Entenda: juros futuros são a taxa de juros que o mercado espera que vigore daqui a um ou dois anos; quando sobem, mostram desconfiança com o futuro das contas públicas.

Flávio Bolsonaro deixa o Brasil

  • Depois da derrota no segundo turno, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil; a Justiça argentina pediu a preservação de imagens dele no país vizinho para apurar se houve ajuda do governo local na saída.
  • Já nos Estados Unidos, Flávio gravou um vídeo dizendo que pretende disputar uma nova eleição presidencial antes de 2030 e que vai reagir juridicamente ao que chamou de perseguição do ministro Alexandre de Moraes.
  • O chanceler argentino negou que o Brasil tenha pedido explicações sobre o caso.
  • Por que importa? A disputa política segue no radar do mercado, que ainda está de olho em qualquer sinal sobre o rumo do novo governo.

Petróleo em alta

  • O barril do petróleo Brent fechou a semana a US$ 113,43, acumulando alta de cerca de 15% em outubro, o quarto mês seguido de alta.
  • A Petrobras informou que suas refinarias trabalharam a 98% da capacidade em outubro, perto dos 99% do terceiro trimestre.
  • Por que importa? Petróleo mais caro pressiona o preço da gasolina e do diesel nas refinarias, o que pode chegar aos postos com o tempo.
  • Leitura prática: fique de olho no preço dos combustíveis nas próximas semanas, mas lembre que o repasse ao consumidor não costuma ser imediato.

Mundo: Wall Street também sofreu

  • As bolsas americanas fecharam a semana em queda; o Nasdaq caiu 2,86% só na sexta-feira, o pior dia desde junho, e perdeu 5,3% no mês.
  • O Banco do Japão manteve sua taxa de juros em 1,25% ao ano e deixou a porta aberta para uma nova alta em dezembro.
  • Por que importa? O mercado também está de olho nas eleições de meio de mandato ("midterms") nos Estados Unidos, que podem mudar o equilíbrio de poder no Congresso americano.
  • Leitura prática: quando a bolsa americana cai, fundos e ações brasileiras ligadas ao exterior costumam sentir o reflexo também.

Empresas da semana

  • Vale: lucro do terceiro trimestre caiu cerca de 53%, para US$ 1,25 bilhão, abaixo do esperado; a mineradora disse que não deve pagar dividendos extraordinários (parte do lucro distribuída aos acionistas além do normal) neste ano.
  • Raízen: os acionistas aprovaram um plano de recuperação extrajudicial (um acordo com credores para evitar a falência) que inclui aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a R$ 39,8 bilhões.
  • Bradespar: propôs distribuir R$ 321 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP, uma forma de dividir o lucro com os acionistas), com pagamento em novembro.
  • Itaú: lançou o Itaú Pay, serviço de pagamentos para concorrer com a Nubank no comércio eletrônico.

Para aprender: a palavra da semana

  • Circuit breaker é o freio de emergência da bolsa de valores: quando o principal índice cai 10% no mesmo dia, as negociações param automaticamente por 30 minutos.
  • Ele existe desde 1997 e serve para dar um tempo aos investidores, evitando que o pânico piore ainda mais a queda.
  • Você vai ouvir esse termo de novo sempre que houver um choque forte e repentino no mercado, como já aconteceu na pandemia de 2020 e, agora, depois da eleição.

Semana que vem

  • Segunda-feira (2/11): feriado de Finados, a B3 não terá pregão.
  • Mercado deve seguir de olho em sinais do governo sobre a equipe econômica e o Ministério da Fazenda do novo mandato de Lula.
  • Continua a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 das empresas listadas na bolsa.

Resumo final

  • A notícia da semana foi o tombo histórico da bolsa e a disparada do dólar depois da reeleição de Lula, com direito a circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia.
  • O risco que fica é a incerteza sobre o rumo fiscal do novo governo, que mantém juros e risco país pressionados.
  • Para quem está começando, o aprendizado prático é que notícias políticas podem mexer com o bolso rapidamente; evitar decisões precipitadas com os investimentos ajuda a atravessar semanas assim.

Observação

Este conteúdo é informativo e educacional. Não é recomendação de investimento.

Fontes consultadas

Investimentos envolvem risco. Rentabilidade passada não garante resultado futuro. Este conteúdo é educativo e não substitui a análise individual do seu caso.

Marcos Fleming, CFO Pessoal

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